Sábado, Janeiro 26, 2008

Uma descoberta


Viver com certezas imutáveis é tão difícil quanto viver sem certeza nenhuma.

Um caso de sucesso



Confesso que estive muito crítico nos últimos posts. Acho que é hora de ver o lado bom das coisas, afinal, toda unanimidade é burra. Estive lendo algumas revistas de indicadores ambientais. Tem muita coisa superficial mas também tem coisas interessantes. Quer saber uma ação ambiental muito positiva. Conto-lhes. A fabricação do plástico ambiental pela Brasken. Sim, brasileiros. A primeira empresa a fabricar plástico do etanol, ao invés do petróleo, é brasileira. Ponto pra nós. A Brasken investiu 30, eu disse 30 anos de pesquisa para fabricar um plástico oriundo de matéria prima renovável. Isso é uma ação ambiental de verdade, não é ação de marketing em propaganda da novela das oito. Com o plástico orgânico abrimos espaço para uma infinidade de derivados, cria-se um mercado novo, possibilitando a outros elos da cadeia produtiva serem sustentáveis. O petróleo vai acabar. Com ele os plásticos antigos. Que venha o novo. O plástico de etanol. Que venha o plástico biodegradável, assumindo a forma do futuro.

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Estratégias adaptativas nas empresas

Na enquete feita neste blog há alguns dias atrás dois temas foram escolhidos para que, sobre eles, se escrevesse. Planejamento estratégico e casos de sucesso em desenvolvimento sustentável. Escreverei hoje sobre planejamento estratégico. Eu poderia fazer um apanhado histórico sobre o planejamento estratégico, lebrar dos grandes estrategistas militares ou ainda comparar os estrategistas ocidentais com os orientais. Deixarei essas tarefas para artigos científicos futuros. Neste post vou contar algo muito mais interessante.

Eu descobri a possibilidade de se fazer planejamento estratégico a partir do estudo da ecologia. Como? Simples, estudando estratégias adaptativas dos animais e plantas.

As estratégias adaptativas dos seres vivos são uma fonte interminável de conhecimento. Dado um habitat o organismo compete e coopera para encontrar seu nicho na luta pela existência. Compete com seus semelhantes e coopera com seus semehantes e diferentes. Vou dar um exemplo. Uma colméia de abelhas. As abelham competem entre si pelo néctar, mas colaboram entre si para fazer uma colméia. Ademais, colaboram com a polinização, e seu mel serve de alimento para outros animais, como o urso. É uma interação complexa. As empresas, da mesma forma, estão em ambientes cercados de outras empresas, de matérias primas, de recursos escassos. Elas competem e cooperam entre si simultâneamente. Muitas vezes o competidor é o cooperador ao mesmo tempo. Por exemplo: Uma empresa compra aço no mercado e seu cliente, além de comprar o seu produto, também compra aço. Ora, elas competem por aço e colaboram com produtos. Ao se analisar o ambiente de uma empresa, é preciso verificar todas as variáveis e entender o processo dinâmico de adaptação dessa empresa em relação ao mercado, exatamente como os ecologistas enxergam um organismo vivo se adaptando ao meio ambiente.

Para cada empresa cabe uma análise interna - eu diria fisiológica - e uma análise externa - ambiental. Depois dessas suas análises o estrategista deve colocar os pontos fortes em interação com o meio ambiente. Também é interessante neutralizar os pontos fracos - através de simbioses com outras empresas, para que o organismo social possa se adaptar e se especializar no seu habitat. Esse processo pode e deve ser feito com olhos na natureza, pois as respostas adaptativas já existem aos milhares, testadas e aperfeiçoadas por milhões de anos.

Domingo, Janeiro 20, 2008

Uma pequena crítica


Hoje li uma bobagem numa revista ambiental. Ela dizia que lucro e aumento na produção eram compatíveis com preservação ambiental... E continuava argumentando, dizendo que uma empresa que diminue a porcentagem de resíduos produtivos colabora com o meio ambiente gerando lucro... Ora, é um argumento que pode enganar olhos desatentos... Realmente, diminuir o índice de sucata aumenta o lucro da empresa, mas daí dizer que o aumento de produção gera menor impacto ambiental... Por favor, respeitem minha inteligência. É óbvio que o aumento de produção aumenta o impacto ambiental. E pior, a necessidade de aumento de produção é algo muito mais importante que a diminução da sucata. É caros leitores. A verdade é dura. O regime captalista é deprimente. Chega ao ponto de justificar o injustificável. Aumento de produção com menor impacto ambiental... Será que o mundo não percebe que a matéria prima que acaba nos rios e nos aterros sanitários depois do consumo é a mesma que chega lá em forma de sucata??? E que a diferença entre as duas formas de poluição (produto acabado e sucata) é só uma questão de tempo?! E a revista continuava com bobagens absurdas não só nas matérias como nas propagandas... Chegava ao cúmulo de colocar um engenheiro da GM atestando que os carros da GM não poluem, que possuem filtros, que são um bem para a humanidade. Hipócritas! E o carbono emitido na atmosfera? E o fato de que para cada carro produzido gera-se oito toneladas de sucata em toda cadeia produtiva? E o fato de que para cada carro produzido é preciso fazer um quilômetro de asfalto? Isso, leitores, os hipócritas escondem de nós... É mais difícil encarar a verdade do que se iludir com belas imagens em propagandas... E você, de que lado você está?

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Conhecer-se


Conhecer mil coisas no mundo equivale a conhecer uma coisa sobre si próprio.

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Nasce um blog ambiental


Vivemos o fim de uma era. O processo civilizatório do qual somos protagonistas está chegando ao seu encerramento, e, esse ciclo, já dá sinais que novas formas de se viver virão. A sociedade da produção em massa, da poluição, do lixo, dos gazes-estufa será deixada para trás. Uma nova civilização, de comunidades sustentáveis ligadas em rede já dá seus sinais. A grande questão que precisamos responder rapidamente é como fazer essa transição. Como reorganizaremos a sociedade em comunidades sustentáveis se as pessoas dizem querer ser "ecológicamente corretas" mas não querem mudar em nada os seus hábitos? Se elas continuam a fazer de suas vidas uma rotina que produz e é produzida em série, sem respeitar os limites de cada ser humano e do ambiente que elas estão inseridas...

A vida e a produção em série, de um ponto de vista ambiental, são incompatíveis.

Como ajudar as empresas que vendendo produtos químicos e fazendo comerciais com crianças saudáveis brincando na natureza, destróem o meio ambiente? É preciso desmitificar as mercadorias, os hábitos, as crenças. Mostrar ao mundo a incoerência dos fatos. E claro, apontar caminhos, senão corretos, no mínimo melhores de se trilhar. Dentro do possível, esse blog dá uma pequena contribuição fazendo parte dessa clarificação. Ele, através da ciência e do conhecimento procura revelar aquilo que o senso comum deixa escapar, tanto da insustentabilidade da vida vivida hoje, quanto da sustentabilidade da vida que virá amanhã. Ele existe para colocar a ciência a serviço de empresas e governos que realmente desejam conseguir atravessar as mudanças rápidas e implacáveis que viveremos no futuro próximo. Não haverá espaço para hipocrisia das empresas que anunciam projetos ambientais de alguns poucos milhões de reais enquanto faturam centenas de milhões produzindo mercadorias não recicláveis. É necessária uma mudança estrutural. Inclusive da noção do que é valor agregado e do que é lucro. Uma empresa petroquímica investe em cinema, em preservação ambiental, em escolas, mas emite quanto de gás estufa na atmosfera? Quem vai pagar a conta dos milhões de desabrigados que o derretimento das geleiras irá causar?

Energia limpa. Pequenas comunidades sustentáveis. Produção personalizada. Integração da vida aos ciclos naturais. Respeito às limitações de cada um. Igualdade de oportunidades. São coisas que sabemos estar corretas mas que não acontecem. Não acontecem mas são tecnicamente viáveis e possíveis. Falta a sabedoria de usar aquilo que se sabe. No mundo de hoje as pessoas se medem pelo que têm. É através do consumo que elas preenchem o vazio de suas vidas criando uma noção de conforto material que esconde uma pobreza de espírito. Nada contra o dinheiro. Ele é necessário. Mas no mundo que virá

o consumo desenfreado será condenado moralmente (por ser ambientalmente insustentável e piorar a vida da maioria) e as pessoas serão medidas pelo que são. Isso trará para humanidade um novo grau de justiça social.

As empresas que quiserem sobreviver a essa revolução que acontecerá em pouco tempo, precisarão saber usar a ciência para se transformarem. Rever sua estrutura organizacional, sua missão, seus objetivos. Esse blog tentará mostrar como essa transformação é possível. Que venha o futuro!

Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

O futuro está nos trópicos

Tenho pensado um bocado esses dias... Qual o papel da ecologia humana na minha vida? Qual é a minha idéia de ecologia humana e para que ela servirá? Perguntas que espero responder ao longo dos próximos anos. Os cientistas têm perguntas que levam anos para ser respondidas. Quiçá os filósofos... Esses passam a vida respondendo perguntas sem respostas. Admiro muito. Bom, mas pra mim, ainda fico com as que podem ser respondidas... Uma das certezas que tive sobre a ecologia humana é que ela deve estudar a relação da raça humana com os seres vivos e com o meio ambiente. Até aí nada de novo.

Entretanto, quando começamos a perguntar como integrar os seres humanos aos outros seres vivos e ao ambiente inorgânico surge um conceito chave nessa equação. COMUNIDADE.

É através da construção de comunidades sustentáveis que os seres humanos poderão tornar suas vidas ecologicamente corretas.Criar uma comunidade não é apenas juntar um monte de gente e fazer uma fogueira no centro. Montar uma comunidade envolve problemas de gerção de energia renovável (porque a vida não pára), garantir alimento para seus integrantes, produzido na terra, hidropônicamente ou ainda coletado na natureza e finalmente preencher as necessidades mentais do ser humano com produção de cultura. Isso envolve a ciência e a arte. Com essas coisas torna-se possível viver. E a ecologia humana precisa encontrar respostas pontuais para adptar as comunidades e torná-las sustentáveis.

Uma comunidade no deserto deve ser estruturada (com cálculos, estimativas de população e suas necessidades) de forma diferente de uma comunidade no interior do Brasil, ou ainda de uma comunidade urbana em Chicago. O ecólogo humano precisa trabalhar para encontrar soluções viáveis dentro de cada comunidade que ele estuda. A abordagem precisa ser multidisciplinar. Todas as ciências tem espaço para contribuir com idéias na construção de um mundo organizado em comunidades sustentáveis. A sustentabilidade está na integração com a natureza - a mais avançada tecnologia - e não na produção de uma vida artificial, como os países do norte há séculos vêem idealizando. Os ecólogos humanos tem a responsabilidade de planejar a construção de comunidades e interligar as diversas áreas do saber para o bem comum.

Domingo, Janeiro 13, 2008

A hipocrisia é verde


Estou cansado. Mas meu cansaço não é de falta de energia para viver. Meu cansaço é de não aguentar mais ouvir aos quatro ventos sobre a importância de se preservar o meio ambiente e ver que todos os que clamam e concordam com isso não movem uma palha em suas vidas para fazer a diferença. É ridículo. Cientistas que pensam sobre os problemas ecológicos vão trabalhar de carro, artistas apóiam causas verdes sem saber exatamente do que trata a ecologia - ainda acham que é coisa de plantas e borboletas, políticos defendem com a alma o meio ambiente nos palanques, mas geram, como todo o resto da população, toneladas de lixo. Os empresários, que se orgulham de ter responsabilidade social produzem em escala e consomem em escala, sem qualquer possibilidade de serem sustentáveis.

Enquanto nós defendemos o meio ambiente com palavras, o destruímos no mundo real, entre sorrisos, compras e confortos.

É preciso estabelecer uma relação possível entre o meio ambiente natural e o ambiente humano. E para isso é preciso que entendamos como o ambiente natural se interrelaciona e mimetizar essas relações entre as comunidades humanas, inclusive nos esquemas produtivos. Isso requer uma mudança profunda no modo de produzir a nossa sociedade. É preciso que usemos a tecnologia da informação para minimizar todos os impactos ambientais, sublimando para a esfera abstrata da vida boa parte de nossas necessidades concretas.

Se ao invés de sair para comprar ferozmente as pessoas gastassem seu tempo lendo livros que elas mesmas emprestassem entre si, se as pessoas dessem caronas umas as outras - a média de ocupação dos carros é 1,4 pessoa por veículo - para irem trabalhar, se as pessoas exigissem produtos de limpeza biodegradáveis, se as pessoas exigissem dos políticos tratamento de esgoto e mudança nos hábitos de higiene da população, se, se, se, se... Olha é tanta coisa que não cabe em uma vida de posts... Mas vamos lá... Um depois do outro.