De vez em quando, voltando do trabalho eu vejo as avenidas que beiram os rios. Elas estão lotadas de carros. O ar, claro, está cheio de fumaça e o rio de sujeira. E me pergunto, para que fazemos tudo isso, para que tanto trabalho, se, juntos, não construimos uma vida plena? Como é possível viver em uma cidade tão podre e se contentar com a própria casa e com o próprio carro, como se fossem esses os grandes troféus de uma carreira profissional. Não pode ser tão pequeno assim. Trocar a vida, o precioso tempo de uma existência para se ter uma casa bonita e dois carros na garagem enquanto se destrói o tempo e a natureza. O carro e casa deveriam estar em função da natureza e não a natureza em função deles. Está tudo errado. As pessoas não enxergam isso por que reconhecer isso demanda coragem. Coragem para negar uma forma de viver, de sentir e se relacionar com os outros. As pessoas tem medo. Nesse mundo as pessoas vivem com medo. Medo de adoecer, medo de serem traídas, medo de amar. Para que exista uma civilização sustentável é preciso primeiramente que as relações humanas sejam sustentáveis. Livres de hipocrisia, de falsidade, de alienação e covardia. Uma vida plena, ambientalmente sustentável, é resultado do reconhecimento das relações ecológicas entre os seres humanos em todos os sentidos. Só existe uma maneira de tornar as relações humanas sustentáveis. Com amor.
Um dia eu declarei meu amor ao mundo e não fui correspondido. Continuo amando assim mesmo. A natureza é a coisa mais bela que existe. Viva-a com toda sua coragem.
Sexta-feira, Março 14, 2008
Relações humanas
Postado por
Ricardo Raele
às
10:44 AM
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