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Quarta-feira, Junho 18, 2008

Uma espelunca chamada Terra

Muito se fala sobre a riqueza da natureza. Sobre seu valor monetário. Ecológico. Uma árvore pode ser vendida e transformada em dinheiro, pode ainda ser mantida em pé, no intuito de cumprir seu papel na teia da vida, nitrogenando o solo, dando abrigo aos pássaros e frutos aos homens... Hoje em dia, diversas correntes de cientistas e economistas debatem sobre a proximidade entre a ecologia humana e a economia, dado que estão umbilicalmente conectadas. A economia é o estudo dos recursos escassos, das trocas materiais e energéticas entre os homens. A ecologia também, embora enfoque um ponto de vista mais abrangente e inclui todos os organismos vivos na "economia" de energia e materiais orgânicos e inorgânicos do planeta Terra.

Concorco completamente com a visão de que economia e ecologia humana estão muito, muito próximas. Creio que não há solução para o problema econômico do ser humano sem considerar-se a ecologia. Na natureza todos os organismos vivos, absolutamente todos, fazem parte de um ciclo material movimentado pela energia solar, basicamente. Na natureza não há exclusão. Todos participam. Na ecologia natural não há idéia de lixo. Os organismos e dejetos são reciclados, dando oportunidade para a vida dos organismos que virão.

No caso do ser humano não. É é aí que reside a prova documental da falência do sistema industrialista que vivemos hoje. O sistema pressupõe a existência de lixo, e o lixo é nada mais que matéria e energia expurgada da roda da vida, ou seja, é um indicador de morte ambiental. Quando reciclamos o lixo, na verdade estamos regenerando a oportunidade para outros seres vivos existirem.

Por que nossa civilização produz lixo? Quais são nossos erros sociais que resultam na existência do lixo? O que na nossa concepção de Deus está errada? O que na nossa concepção de universo está errada? De ser? De felicidade?

Mas não se trata apenas de reciclar o lixo. Trata-se de não produzí-lo. O custo ao reciclar o lixo é um erro ambiental estrutural. Não pode-se tratar a reciclagem como custo, ela deve ser algo natural do sistema, uma nova fase no ciclo produtivo... Por isso, todos os produtos deveriam ser projetados considerando-se a sua participação na roda material do planeta. Para cada produto a ser inventado as empresas deveriam solucionar os impactos ambientais que aquele produto gerará. E isso demanda políticas que forcem a sociedade neste sentido. Provocar essa mudança com leis e políticas públicas. Por exemplo. Por que não proibir as fraldas descartáveis? Sabe-se que são um problema ambiental gravíssimo. Demoram milhares de anos para se decomporem, sujam as cidades, emporcalham os aterros sanitários. Mas, os aterros ficam longe da casa dos ricos que podem pagar R$150,00 reais por um pacote de fraldas e a lógica meus caros, é a seguinte:

Limpar a merda do meu próprio filho? Não... Prefiro jogar a merda pra sempre do lado da casa dos pobres.

Se seu filho de um ano soubesse o quanto ele está sendo ruim para ele mesmo, pode ter certeza que pediria para você limpar as fraldas de pano dele.

Outro exemplo. Sacos de plástico nos supermercados. Quando eu era criança todos os supermercados usavam sacos de papel reciclado. Éramos felizes e não sabíamos. Agora são todos de polietileno de alta densidade. Plástico. Se não são biodegradáveis, por que não voltar aos sacos de papel? Porque o supermercado ganha mais dinheiro com eles... Porra, cadê o poder público dessa espelunca chamada Terra? Proíbe-se essa porcaria de plástico e pronto. Usemos sacolas de verdade trazidas de casa ou paguemos por sacolas de papel. Sei lá, não precisa ser gênio para resolver o problema.

Quer mais um... Garrafas PET. De refrigerante. Quando eu era criança eram de vidro e todo mundo vivia bem. Então as indústrias descobriram que ganhariam mais dinheiro fazendo elas de plástico descartável e mudaram tudo. Resultado, o diretor dessa indústria hoje tem dinheiro pra viajar de jato particular e o pobre que se foda na beira do rio todo sujo de garrafas usadas. Vereadores, proíbam essa porra!!! Afinal, seu papel é o bem público ou você está com medo de quem financiou sua campanha?

Por que, com que direito, uma empresa produz uma embalagem que polui o meu, o nosso ambiente? Se eu não compactuo com os benefícios daquele produto e não julgo a sua existência suficientemente importante para interferir no ambiente em que vivo, este produto não têm o direito de existir.

Mas quando a reciclagem do lixo é integrada ao sistema capitalista (e consequentemente a natureza) o lixo perde seu significado de "lixo" e passa a ser considerado matéria prima de outro processo ambiental.

Se a natureza não produz lixo e ciclagem (o termo biológico é esse) é sinônimo de avanço, fica claro que a tecnologia, o sistema, que está operando nela é infinitamente superior ao "sistema social" dos seres humanos... Há um conhecimento abstrato na natureza que é infinitamente superior ao conhecimento humano. É nos modelos naturais que encontraremos as soluções e o equilíbrio necessário para nossas ações.

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Quinta-feira, Abril 10, 2008

Rodízio de carros e propriedade privada


Recebi dois comentários na última semana, ambos tratando de um problema comum, problema esse que nos assola na metrópole. O problema ambiental do transporte. Não é difícil entender a raiz desse problema, de fato é muito simples... Vou escrever algumas linhas sobre ele...

Do ponto de vista prático basta lembrar que para cada carro fabricado é preciso asfaltar um quilômetro de pista. Isso para o fluxo se manter contínuo, ou seja, sem trânsito. Ora, um quilômetro de asfalto custa mais caro que o carro. Conclusão: a cada carro vendido poucas pessoas ficam mais ricas, e nós, a sociedade, ficamos mais pobres.

Do ponto de vista teórico também não é um bicho de sete cabeças para entendermos a questão... O problema reside no fato de vivermos uma lógica individual e privada, onde faz sentido ter um carro, mas que, quando todos nós achamos que faz sentido ter um carro, ter carro perde o sentido pois não há espaço para todos os carros. É viver uma racionalidade individual dentro de uma irracionalidade coletiva. É sustentável isso? Será que ninguém percebe o óbvio?

Rodízio de dois, três dias por semana... Pode por quantos dias quiser. Enquanto fabricarmos carros em série, com robôs os produzindo dia e noite, dia e noite, dia e noite...
Não haverá sistema de transporte que agüente. Tudo por causa de uma lógica individualista... Por que as pessoas não ajudam umas as outras oferencendo caronas? Com quatro pessoas dentro de cada carro não precisaríamos de rodízio. Seriam 3/4 a menos de carros nas ruas... Sabe por quê? Porque as pessoas têm medo. Vivem com medo. Compram carros de luxo e tem medo de andar nas ruas com eles... Então blindam o carro... Aí tem medo na hora de abrir a porta pra descer na frente do escritório... E assim vão... De medo em medo, sem dividir, sem trocar, sem partilhar... Elas se sentem desconfortáveis até com os vizinhos...

Não seria esta uma vida pobre, na qual não se conhece gente nova, não se ajuda quem precisa, não se divide aquilo que se multiplica ao se dividir? Compaixão. Responsabilidade. Respeito. Amizade...

Talvez um dia estas pessoas que vivem "sentadas, donas das suas salas", descubram que

o mundo é muito maior e muito mais bonito que tudo que um só homem é capaz de conquistar.

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Sábado, Fevereiro 16, 2008

Aquecimento solar de água


A cidade de São Paulo está prestes a colocar uma lei em vigor. A lei 14.459/07. Segundo ela, todas as edificações com mais de quatro cômodos são obrigadas a prever, em seu projeto e construção, um sistema de aquecimento solar para água. Isso porque estima-se que no Brasil, durante o horário de pico, cerca de 60% do consumo da energia elétrica é advinda dos chuveiros elétricos. Embora alguns especialistas discordem sobre a medida, com críticas técnicas e políticas, para mim é claro que ela é mais do que acertada. Se existem questões técnicas a serem resolvidas, que sejam resolvidas. No caso das questões políticas, que se promova um debate público e se chegue a um acordo. O que não podemos deixar de lado é a oportunidade de iniciar a mudança da nossa matriz energética rumo à energia solar. Embora a energia elétrica brasileira seja predominantemente oriunda de hidroelétricas e não dos combustíveis fósseis, o país está crescendo economicamente, e é preciso, aumentar a geração, ou captação nesse caso, de energias renováveis. Isso vai aliviar o sistema hidroelétrico, liberando-o do uso residencial para o uso industrial, que tanto precisaremos. Outra coisa importante é pulverizar as fontes de energia. Os sistemas pequenos e distribuidos causam menor impacto ambiental do que os grandes sistemas de geração e distribuição de energia. A lei veio e veio tarde. Já deveria ter sido implantada há muito tempo. Espero ansiosamente por mais uma dúzia delas, incentivando o uso das energias renováveis em micro escala. Elas são a resposta do futuro para a sustentabilidade da raça humana no planeta.

Domingo, Fevereiro 10, 2008

Siderúrgicas e o Pantanal

A MMX/EBX, do empresário Eike Batista teve problemas com o meio ambiente no ano passado. Ela foi multada em mais de um milhão de reais por danos ambientais (Jornal Folha de São Paulo). Também saiu na imprensa o fato de Eike Batista ter feito uma jogada empresarial no setor de mineração que lhe rendeu bilhões de reais. Agora, o seu grupo empresarial anuncia o empreendimento de uma siderúrgica no Pantanal. Pior, a siderúrgica será abastecida com carvão vegetal. Que garantias nós, a sociedade, temos de que a siderurgica não será abastecida com floresta nativa? Mais ainda... Que garantia a sociedade tem que não se derrubará floresta nativa para se plantar eucaliptos? A imprensa divulgou que o nobre empresário negociou a venda de seu negócio para corporações estrangeiras, rendendo-lhe mais alguns bilhões. Mas como foi feita essa negociação? Até que ponto não estamos vendendo a riqueza ambiental do Brasil? E que benefício a sociedade poderá ter da perda da biodiversidade para se produzir minério e aço? Minério e aço são coisas do passado. Todo mundo sabe que são atividades de grande impacto ambiental e pouco capital intelectual integrado. Ou seja, gera riqueza para meia dúzia e ignorantes bolsões de pobreza. Históricamente, o Brasil têm vários exemplos de empresários que venderam nossa integridade e riquezas naturais para benefício próprio. Seria esse mais um caso?

Sábado, Fevereiro 09, 2008

Mar de Sangue


Hoje, saiu na grande imprensa que o Japão e a Austrália vivem uma crise diplomática. Tudo por causa da caça japonesa às baleias. A Austrália, que quer dominar politicamente os mares do sul é ardilosamente contra, já que a caça acontece em seus "pretensos mares". O Japão mata baleias aos milhares (a cota do ano passado foi perto de 1000 baleias mortas) mas alega que a caça é científica. Mentira. Faltaria tubo de ensaio para tanta carne. Todos sabem que eles caçam para comer. A pergunta que fica é: É lícito matar baleias para comer? Essa não é uma pergunta fácil de responder.

Afinal, por que os ocidentais podem matar bovinos aos milhões e os orientais não podem matar baleias? Eu não sei a resposta dessa pergunta, mas sei de algo que é comum aos dois lados. Matar animais é algo violento.

É sangüinário. Arpões em baleias, facas em porcos, pauladas em focas e choques em bois. Eis o homem desnudo. Crú. Será que precisamos disso? Pior. Essa matança não é doméstica, é industrial. Mata-se em série. A matança industrial é algo frio, assustador. Não sou vegetariano, mas ao ver as imagens dos japoneses fazendo um mar de sangue, literalmente, começo a pensar que o mundo poderia ser melhor sem essa matança.

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Campanha Web Verde

O planeta pede sua ajuda. E não custa nada.

Adote as práticas abaixo no seu dia a dia e incentive os outros a fazerem também:

1. Leve sacolas não descartáveis para fazer supermercado
2. Vá a pelo menos um lugar de bicicleta por semana
3. Deixe uma caneca no escritório e não use copos descartáveis
4. Use fraldas de pano nas crianças - São mais saudáveis para pele e não geram lixo
5. Dê preferência para os carros a álcool
6. Use apenas pilhas recarregáveis
7. Não desperdice água
8. Faça um trabalho voluntário aos finais de semana
9. Clique na CARTA do rodapé e envie esse post para os seus amigos.

Apoie a campanha, coloque esse selo no seu blog:



Para isso, basta copiar e colar o código abaixo na sua página:

Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

Adaptação darwinista



Darwin estava certo ao dizer que aquele que se adapta à natureza tende a sobreviver. O problema surge quando o homem confunde adaptação com dominação. A natureza não deve ser dominada porque a existência é livre em sua essência. Adaptar-se pressupõem respeito àquilo ao qual nos adaptamos. É um acoplamento mútuo. Quanto menos esforço o homem fizer para se adptar mais livre ele será. A dominação da natureza exige um esforço imenso, por isso é pouco inteligente. O esforço daptativo do homem, trás consigo uma idéia irreal de conforto, porque há um anseio pelo conforto que pressupõe um domínio destrutivo sobre a natureza. As pessoas que vivem esse conforto consumista, destróem o ambiente em que todos os seres vivos vivem. De fato, elas usam a inteligência humana para gerar um conforto insustentável, ao passo que se recusam, inconscientemente, a cumprirem seu papel na teia da vida.

Domingo, Fevereiro 03, 2008

Leis e ambiente


É de se espantar a falta de iniciativa política das autoridades frente ao problema ambiental. Todos mundo fala, mas ninguém faz. Para mudar comportamentos anti-ecológicos, que vão dos saquinhos plásticos nos supermercados às embalagens não recicláveis não basta discurso. Acredito ser preciso mudar o código legislativo da cidade, do estado e do país. É preciso proibir a fabricação e o consumo de certos insumos.

Além disso, é preciso uma política fiscal que incentive produtos "limpos" e cobre impostos adicionais para os produtos não amigáveis com o meio ambiente.

Também é preciso responsabilizar as empresas pelo dano ambiental que seus produtos causam. Por que não temos leis proibindo a produção de certos produtos se eles pioram a qualidade de vida da população? A sociedade precisa se mobilizar e exigir um código legal que proteja o meio ambiente e incentive as benfeitorias que nele são necessárias.

Sábado, Janeiro 26, 2008

Um caso de sucesso



Confesso que estive muito crítico nos últimos posts. Acho que é hora de ver o lado bom das coisas, afinal, toda unanimidade é burra. Estive lendo algumas revistas de indicadores ambientais. Tem muita coisa superficial mas também tem coisas interessantes. Quer saber uma ação ambiental muito positiva. Conto-lhes. A fabricação do plástico ambiental pela Brasken. Sim, brasileiros. A primeira empresa a fabricar plástico do etanol, ao invés do petróleo, é brasileira. Ponto pra nós. A Brasken investiu 30, eu disse 30 anos de pesquisa para fabricar um plástico oriundo de matéria prima renovável. Isso é uma ação ambiental de verdade, não é ação de marketing em propaganda da novela das oito. Com o plástico orgânico abrimos espaço para uma infinidade de derivados, cria-se um mercado novo, possibilitando a outros elos da cadeia produtiva serem sustentáveis. O petróleo vai acabar. Com ele os plásticos antigos. Que venha o novo. O plástico de etanol. Que venha o plástico biodegradável, assumindo a forma do futuro.

Domingo, Janeiro 20, 2008

Uma pequena crítica


Hoje li uma bobagem numa revista ambiental. Ela dizia que lucro e aumento na produção eram compatíveis com preservação ambiental... E continuava argumentando, dizendo que uma empresa que diminue a porcentagem de resíduos produtivos colabora com o meio ambiente gerando lucro... Ora, é um argumento que pode enganar olhos desatentos... Realmente, diminuir o índice de sucata aumenta o lucro da empresa, mas daí dizer que o aumento de produção gera menor impacto ambiental... Por favor, respeitem minha inteligência. É óbvio que o aumento de produção aumenta o impacto ambiental. E pior, a necessidade de aumento de produção é algo muito mais importante que a diminução da sucata. É caros leitores. A verdade é dura. O regime captalista é deprimente. Chega ao ponto de justificar o injustificável. Aumento de produção com menor impacto ambiental... Será que o mundo não percebe que a matéria prima que acaba nos rios e nos aterros sanitários depois do consumo é a mesma que chega lá em forma de sucata??? E que a diferença entre as duas formas de poluição (produto acabado e sucata) é só uma questão de tempo?! E a revista continuava com bobagens absurdas não só nas matérias como nas propagandas... Chegava ao cúmulo de colocar um engenheiro da GM atestando que os carros da GM não poluem, que possuem filtros, que são um bem para a humanidade. Hipócritas! E o carbono emitido na atmosfera? E o fato de que para cada carro produzido gera-se oito toneladas de sucata em toda cadeia produtiva? E o fato de que para cada carro produzido é preciso fazer um quilômetro de asfalto? Isso, leitores, os hipócritas escondem de nós... É mais difícil encarar a verdade do que se iludir com belas imagens em propagandas... E você, de que lado você está?

Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Conhecer-se


Conhecer mil coisas no mundo equivale a conhecer uma coisa sobre si próprio.