Mostrando postagens com marcador comunidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comunidade. Mostrar todas as postagens

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Conflitos em terras indígenas


O Brasil está sob um grande desafio. Várias minorias étnicas que vivem na floresta amazônica estão se chocando com grupos de agricultores, madedeiros, garimpeiros... e claro, atrás de toda essa gente há interesses de poderosos, políticos, empresários... Entretanto o problema está longe de ser simples assim, dividido entre duas facções. Além dos índios e dos "brancos" brasileiros, soma-se ao caldo militares brasileiros e missionários estrangeiros. Pois bem. Os índios reinvindicam sua posse de terra em largas extensões. Os civis brancos que lá vivem (são mais de vinte milhões de pessoas na floresta amazônica brasileira) querem implantar nosso falido modelo de "civilização econômica". Os estrangeiros, missionários, voluntários de ONGs, dizem que querem ajudar os índios. Finlmente os militares brasileiros preocupados com a soberania, acusam os "voluntários estrangeiros" de servirem a interesses políticos de seus países de origem e que desejam a internacionalização da Amazônia brasileira.
Veja caro leitor. Se o o gringo não quisesse a internacionalização da Amazônia não vinha até aqui, tentar fazer da amazônia sua casa. A casa de um estrangeiro. Xenofobias postas de lado, e bem longe, é claro que há estrangeiros e estrangeiros... Agora uma coisa é certa. Um Major da Aeronáutica me disse com todas as letras:

"Existe um lugar na Amazônia brasileira que só é acessível de avião. Lá há uma bandeira da França fincada em plena floresta".

É por essas e outras que sou a favor da presença do exército na floresta, sou contra a demarcação contínua de terras mesmo sendo antropólogo. Acredito que se deva calcular uma porção de terra grande o suficiente para a caça, pesca e subsistência do índio de forma que essas terras não precisam ser do tamanho de um país médio. Creio ainda que é preciso isolar as tribos cujo contato ainda não foi feito. Para aquelas que já se aculturaram é preciso descobrir uma maneira de integrá-los a nossa cultura de forma que se preserve o máximo possível suas tradições. Mas esse é um assunto para outro debate que deixarei para uma próxima opinião.

Para debater esse post:
http://www.ricardoraele.livreforum.com/
Para conectar-se:
Me adicionar no orkut

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Nasce um blog ambiental


Vivemos o fim de uma era. O processo civilizatório do qual somos protagonistas está chegando ao seu encerramento, e, esse ciclo, já dá sinais que novas formas de se viver virão. A sociedade da produção em massa, da poluição, do lixo, dos gazes-estufa será deixada para trás. Uma nova civilização, de comunidades sustentáveis ligadas em rede já dá seus sinais. A grande questão que precisamos responder rapidamente é como fazer essa transição. Como reorganizaremos a sociedade em comunidades sustentáveis se as pessoas dizem querer ser "ecológicamente corretas" mas não querem mudar em nada os seus hábitos? Se elas continuam a fazer de suas vidas uma rotina que produz e é produzida em série, sem respeitar os limites de cada ser humano e do ambiente que elas estão inseridas...

A vida e a produção em série, de um ponto de vista ambiental, são incompatíveis.

Como ajudar as empresas que vendendo produtos químicos e fazendo comerciais com crianças saudáveis brincando na natureza, destróem o meio ambiente? É preciso desmitificar as mercadorias, os hábitos, as crenças. Mostrar ao mundo a incoerência dos fatos. E claro, apontar caminhos, senão corretos, no mínimo melhores de se trilhar. Dentro do possível, esse blog dá uma pequena contribuição fazendo parte dessa clarificação. Ele, através da ciência e do conhecimento procura revelar aquilo que o senso comum deixa escapar, tanto da insustentabilidade da vida vivida hoje, quanto da sustentabilidade da vida que virá amanhã. Ele existe para colocar a ciência a serviço de empresas e governos que realmente desejam conseguir atravessar as mudanças rápidas e implacáveis que viveremos no futuro próximo. Não haverá espaço para hipocrisia das empresas que anunciam projetos ambientais de alguns poucos milhões de reais enquanto faturam centenas de milhões produzindo mercadorias não recicláveis. É necessária uma mudança estrutural. Inclusive da noção do que é valor agregado e do que é lucro. Uma empresa petroquímica investe em cinema, em preservação ambiental, em escolas, mas emite quanto de gás estufa na atmosfera? Quem vai pagar a conta dos milhões de desabrigados que o derretimento das geleiras irá causar?

Energia limpa. Pequenas comunidades sustentáveis. Produção personalizada. Integração da vida aos ciclos naturais. Respeito às limitações de cada um. Igualdade de oportunidades. São coisas que sabemos estar corretas mas que não acontecem. Não acontecem mas são tecnicamente viáveis e possíveis. Falta a sabedoria de usar aquilo que se sabe. No mundo de hoje as pessoas se medem pelo que têm. É através do consumo que elas preenchem o vazio de suas vidas criando uma noção de conforto material que esconde uma pobreza de espírito. Nada contra o dinheiro. Ele é necessário. Mas no mundo que virá

o consumo desenfreado será condenado moralmente (por ser ambientalmente insustentável e piorar a vida da maioria) e as pessoas serão medidas pelo que são. Isso trará para humanidade um novo grau de justiça social.

As empresas que quiserem sobreviver a essa revolução que acontecerá em pouco tempo, precisarão saber usar a ciência para se transformarem. Rever sua estrutura organizacional, sua missão, seus objetivos. Esse blog tentará mostrar como essa transformação é possível. Que venha o futuro!

Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

O futuro está nos trópicos

Tenho pensado um bocado esses dias... Qual o papel da ecologia humana na minha vida? Qual é a minha idéia de ecologia humana e para que ela servirá? Perguntas que espero responder ao longo dos próximos anos. Os cientistas têm perguntas que levam anos para ser respondidas. Quiçá os filósofos... Esses passam a vida respondendo perguntas sem respostas. Admiro muito. Bom, mas pra mim, ainda fico com as que podem ser respondidas... Uma das certezas que tive sobre a ecologia humana é que ela deve estudar a relação da raça humana com os seres vivos e com o meio ambiente. Até aí nada de novo.

Entretanto, quando começamos a perguntar como integrar os seres humanos aos outros seres vivos e ao ambiente inorgânico surge um conceito chave nessa equação. COMUNIDADE.

É através da construção de comunidades sustentáveis que os seres humanos poderão tornar suas vidas ecologicamente corretas.Criar uma comunidade não é apenas juntar um monte de gente e fazer uma fogueira no centro. Montar uma comunidade envolve problemas de gerção de energia renovável (porque a vida não pára), garantir alimento para seus integrantes, produzido na terra, hidropônicamente ou ainda coletado na natureza e finalmente preencher as necessidades mentais do ser humano com produção de cultura. Isso envolve a ciência e a arte. Com essas coisas torna-se possível viver. E a ecologia humana precisa encontrar respostas pontuais para adptar as comunidades e torná-las sustentáveis.

Uma comunidade no deserto deve ser estruturada (com cálculos, estimativas de população e suas necessidades) de forma diferente de uma comunidade no interior do Brasil, ou ainda de uma comunidade urbana em Chicago. O ecólogo humano precisa trabalhar para encontrar soluções viáveis dentro de cada comunidade que ele estuda. A abordagem precisa ser multidisciplinar. Todas as ciências tem espaço para contribuir com idéias na construção de um mundo organizado em comunidades sustentáveis. A sustentabilidade está na integração com a natureza - a mais avançada tecnologia - e não na produção de uma vida artificial, como os países do norte há séculos vêem idealizando. Os ecólogos humanos tem a responsabilidade de planejar a construção de comunidades e interligar as diversas áreas do saber para o bem comum.