Segunda-feira, Abril 28, 2008

Desmatar para plantar?


A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse na sexta-feira (25) que a "pressão insustentável" sobre os recursos naturais não é resposta à crise mundial dos alimentos. Para Marina, destruir ecossistemas para plantar "só adia a crise por um tempo".
A declaração foi uma resposta à defesa que o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, fez na quinta-feira (24) do desmatamento como mecanismo "inevitável" para enfrentar a alta global no preço dos alimentos. (fonte UOL)

Acerta a ministra ao reagir à declaração absurda de Blairo Maggi. Está claro que ele se posiciona para defender interesses particulares de uma elite agropecuária e ruralista que desconhece por completo o significado da palavra ecologia. Prova inconstável disso se dá nas palavras mais do que pertinentes do coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. Eis suas sábias palavras "... A oposição entre preservação da floresta e produção de alimentos é uma falsa dicotomia, 'é graças às chuvas produzidas na Amazônia que as terras férteis do Centro-Sul são irrigadas'. "Desmatar é um tiro no pé.""

A verdade é que todo mundo fala em preservar o meio ambiente mas se recusa a aceitar que é preciso pensar em conceber o dinheiro de forma diferente para preservar a vida. Conquanto na forma com a qual se ganha dinheiro hoje. Atualmente o capital se reproduz destruindo a natureza. Basta olhar a poluição das metrópoles (onde o dinheiro circula) e a devastação agropecuária que mantém alimentados os gigantescos conglomerados urbanos. O modelo está falido. Científicamente falido. Desmatamento inviabiliza a agricultura e a agricultura (nas palavras de Blairo Maggi) depende do desmatamento. Vivemos a maior crise de ezquisofrenia coletiva que se tem notícia na história da humanidade. Bancos gastam milhões para se dizerem ecológicos e financiam mineradoras, latifundiários defendem a ecologia e acabam com a biodiversidade. A biodiversidade é fundamental para manter a vida no planeta. Sem biodiversidade não existe vida porque a vida é a interação complexa das trocas de energia (na cadeia trófica) entre todas as espécies.

As pessoas querem ser ecológicas portanto que continuem vivendo o gozo e o conforto cego das metrópoles. É preciso repensar a sociedade, a organização social. É preciso desincentivar atividades de impacto ambiental e fomentar políticas de desenvolvimento de empresas baseadas na tecnologia de informação, na biotecnologia, em uma matriz energética renovável de pequena escala. Construir aldeias tecnológicas sustentáveis por todo o planeta. Incentivar a agricultura familiar e, definitivamente, controlar a natalidade com políticas sérias que desestimulem o crescimento da população.

Para enfrentar a crise alimentar temos é que controlar a natalidade porque o estoque de terras é finito e o crescimento humano se julga poder ser infinito.

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Terça-feira, Abril 15, 2008

Alimentos e Biocombustíveis


A política internacional está diante de um grande debate. Isso porque o preço dos alimentos aumentaram nos últimos anos e esse aumento se deu em escala global. As commodities estão em alta e, segundo analistas do BID e da ONU, isso acarretará na expansão da fome nos países mais pobres. Atualmente, o Brasil está se beneficiando desta inflação nos preços agrícolas, mas embora haja certo otimismo por parte do governo brasileiro no que tange a balança comercial e a boa fase econômica pela qual estamos passando, a ocorrência do debate sobre o preço dos alimentos está gerando um problema político e estratégico muito importante.

Nações protecionistas estão tentando minar a nossa estratégia de longo prazo para os biocombustíveis alardeando que que faltarão terras para se plantar comida caso o mundo se converta para biomassa. O argumento central de diversos países desenvolvidos como a França e os EUA é que as terras destinadas ao plantio de cana, fundamentais para a próxima revolução energética do mundo, gerarão uma falta de terras disponíveis para o plantio de alimentos, diminuindo a oferta e aumentando ainda mais os seus preços no mercado internacional. Concluem, em seguida, que plantar alimentos é mais importante que plantar cana, por razões humanitárias.

Mais uma vez estamos diante de uma falácia que visa minar os interesses do Brasil. Claro, se conquistarmos a hegemonia energética do próximo século poderemos elevar o Brasil a um patamar de desenvolvimento e riqueza jamais imaginados. E isso incomoda. Incomoda principalmente as nações hegemônicas. Para a França, vender reatores nucleares é um grande negócio. Para os EUA perder o controle estratégico sobre as fontes energéticas do mundo também. Então, esses países articularam um discurso e um argumento vestido de caráter humanitário para impedir o Brasil de se tornar o protagonista da matriz energética planetária.

Mas o argumento deles é falacioso. É infundado e nós brasileiros devemos explicar ao resto do mundo porquê.

Primeiro, a elevação dos preços nos alimentos não está ligada ao plantio de cana-de-açúcar. O Brasil planta cana extensivamente desde de 1600 e isso nunca impactou no preço dos alimentos, até porque a quantidade de terras cultiváveis disponíveis no Brasil é tanta que sobra terra. Na década de oitenta abastecemos mais de noventa porcento de nossa frota automotiva com álcool e os alimentos, nessa época, se mantiveram com preços baixos. Ou seja, uma coisa não está ligada a outra necessáriamente.

Segundo, a alta nos preços dos alimentos está ligada a outros fatores, que os países hegemônicos escondem do mundo. São eles, a quebra de safra por questões climáticas em diversos países agrícolas e principalmente o subsídio agrícola praticado pelos países desenvolvidos. Ao manter fortes subsídios agrícolas os preços se tornam artificiais, mas o custo de produção desses alimentos nos países do norte continua mais alto que o custo natural que seria estabelecido por uma competição justa no mercado internacional. Isso enfraquece as nações agrícolas e impedem o seu desenvolvimento, fato que naturalmente aumentaria a disponibilidade de alimentos no mundo.

Terceiro e principal motivo. A Índia e a China estão aumentando seu pode aquisitivo com taxas de crescimento econômico jamais vistas e neles há uma população gigantesca comendo mais. O mundo superpopuloso, pobre e carente, está podendo comprar mais comida e isso interfere diretamente no preço dos alimentos.

O que é mais covarde por parte dos países ricos é colocar a culpa desta alta de preços nos biocombustíveis brasileiros quando, de fato, ela está relacionada às suas próprias posições subsidiáristas, escondendo inclusive outros fatores fundamentais para o entendimento complexo do problema. Se o mundo estivesse sendo movido por biocombustíveis e estivessem faltando terras para agricultura familiar vá lá... Mas brecar a adição de 25% de álcool na gasolina para reduzir o impacto no aquecimento global chega a ser ridículo. Não falta terra no mundo. Falta vontade política de distribuir a renda e é exatamente isso que o protecionismo agrícola dos EUA e Europa impedem. Todo o discurso de liberalismo e livre mercado é uma piada. Uma história da carochinha inventada para abrir nossos mercados quando interessa. Quando não interessa a eles, surgem motivos aos montes para sabotar nossas estratégias de desenvolvimento.

Não, não. Deste vez não. O Brasil vai ser o principal fornecedor de biocombustíveis e o principal produtor de alimentos do mundo. Até porque já é. E é bom que os países ocidentais no norte entendam isso, caso contrário nós os excluiremos do novo processo civilizatório que o mundo construirá, dessa vez baseado em uma matriz energética limpa e infinita, além de um quadro de justiça social onde os países pobres e emergentes tenham voz ativa na democracia planetária.


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Quinta-feira, Abril 10, 2008

Rodízio de carros e propriedade privada


Recebi dois comentários na última semana, ambos tratando de um problema comum, problema esse que nos assola na metrópole. O problema ambiental do transporte. Não é difícil entender a raiz desse problema, de fato é muito simples... Vou escrever algumas linhas sobre ele...

Do ponto de vista prático basta lembrar que para cada carro fabricado é preciso asfaltar um quilômetro de pista. Isso para o fluxo se manter contínuo, ou seja, sem trânsito. Ora, um quilômetro de asfalto custa mais caro que o carro. Conclusão: a cada carro vendido poucas pessoas ficam mais ricas, e nós, a sociedade, ficamos mais pobres.

Do ponto de vista teórico também não é um bicho de sete cabeças para entendermos a questão... O problema reside no fato de vivermos uma lógica individual e privada, onde faz sentido ter um carro, mas que, quando todos nós achamos que faz sentido ter um carro, ter carro perde o sentido pois não há espaço para todos os carros. É viver uma racionalidade individual dentro de uma irracionalidade coletiva. É sustentável isso? Será que ninguém percebe o óbvio?

Rodízio de dois, três dias por semana... Pode por quantos dias quiser. Enquanto fabricarmos carros em série, com robôs os produzindo dia e noite, dia e noite, dia e noite...
Não haverá sistema de transporte que agüente. Tudo por causa de uma lógica individualista... Por que as pessoas não ajudam umas as outras oferencendo caronas? Com quatro pessoas dentro de cada carro não precisaríamos de rodízio. Seriam 3/4 a menos de carros nas ruas... Sabe por quê? Porque as pessoas têm medo. Vivem com medo. Compram carros de luxo e tem medo de andar nas ruas com eles... Então blindam o carro... Aí tem medo na hora de abrir a porta pra descer na frente do escritório... E assim vão... De medo em medo, sem dividir, sem trocar, sem partilhar... Elas se sentem desconfortáveis até com os vizinhos...

Não seria esta uma vida pobre, na qual não se conhece gente nova, não se ajuda quem precisa, não se divide aquilo que se multiplica ao se dividir? Compaixão. Responsabilidade. Respeito. Amizade...

Talvez um dia estas pessoas que vivem "sentadas, donas das suas salas", descubram que

o mundo é muito maior e muito mais bonito que tudo que um só homem é capaz de conquistar.

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Sexta-feira, Março 14, 2008

Relações humanas

De vez em quando, voltando do trabalho eu vejo as avenidas que beiram os rios. Elas estão lotadas de carros. O ar, claro, está cheio de fumaça e o rio de sujeira. E me pergunto, para que fazemos tudo isso, para que tanto trabalho, se, juntos, não construimos uma vida plena? Como é possível viver em uma cidade tão podre e se contentar com a própria casa e com o próprio carro, como se fossem esses os grandes troféus de uma carreira profissional. Não pode ser tão pequeno assim. Trocar a vida, o precioso tempo de uma existência para se ter uma casa bonita e dois carros na garagem enquanto se destrói o tempo e a natureza. O carro e casa deveriam estar em função da natureza e não a natureza em função deles. Está tudo errado. As pessoas não enxergam isso por que reconhecer isso demanda coragem. Coragem para negar uma forma de viver, de sentir e se relacionar com os outros. As pessoas tem medo. Nesse mundo as pessoas vivem com medo. Medo de adoecer, medo de serem traídas, medo de amar. Para que exista uma civilização sustentável é preciso primeiramente que as relações humanas sejam sustentáveis. Livres de hipocrisia, de falsidade, de alienação e covardia. Uma vida plena, ambientalmente sustentável, é resultado do reconhecimento das relações ecológicas entre os seres humanos em todos os sentidos. Só existe uma maneira de tornar as relações humanas sustentáveis. Com amor.

Um dia eu declarei meu amor ao mundo e não fui correspondido. Continuo amando assim mesmo. A natureza é a coisa mais bela que existe. Viva-a com toda sua coragem.

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Governo publicará lista de desmatadores


Demorou mas aconteceu. Alguém no poder resolveu começar a botar a boca no trombone. A ministra Marina Silva disse que o Ministério do Meio-Ambiente divulgará a lista dos 150 maiores desmatadores do Brasil. Até que enfim vamos ver uma parte dos responsáveis pelo desmatamento brasileiro, porque, até então, víamos imagens de satélite com áreas desmatadas mas não víamos as fotos dos RGs de quem desmata. É preciso dar nome aos bois. Quem são os responsáveis pela destruição de nossas florestas? Quem enriquece com isso? Quais as empresas estatais e privadas mais desmatam no Brasil? Mineradoras? Agroindústrias? Latifúndios? MADEREIRAS? É preciso apontar quem são os responsáveis e quanto eles já desmataram. Se o desmatamento foi ilegal, que se quebre o sigilo bancário dessa gente e se descubra quanto dinheiro foi roubado do país. Concomitantemente a isso a sociedade organizada deve começar um debate público sobre as leis e regulamentações do desmatamento no Brasil.

A nossa ministra do meio ambiente é uma pessoa honesta, bem intencionada e inteligente, mas está sendo tímida quando comparada aos falcões que destróem o ambiente em projetos bilhonários. É preciso mais energia, mais integração entre o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Defesa, com o exército, com o departamento de inteligência. Há um ranso, uma dificuldade de coordenação, entre o nosso governo de esquerda e o exército brasileiro que precisa ser superada. É preciso saber usar o exército para o bem da nação. Por que as forças armadas não podem ser reequipadas para garantir a integridade da floresta Amazônica? Cadê o SIVAM com tecnologia nacional? Contar com o IBAMA... O IBAMA é importante mas é uma gota no oceano. Estamos cansados de ver na televisão dois funcionários do IBAMA reclamando que têm que tomar conta de uma área do tamanho da Espanha com uma Kombi. Não funciona. Tomar conta da Amazônia é coisa que se faz com aviões de reconhecimento, satélites, helicópteros...

A ministra deveria coordenar uma pasta de projetos especiais junto com o Ministério da Defesa para garantir a integridade ambiental do país.

E esses projetos deveriam ser feitos por cientistas e estrategistas, sob a coordenação dos ministérios, para que nos próximos sete anos se construisse no Brasil um sistema de defesa e consevação ambiental "modelo" para o mundo. Com isso garantiríamos a posse e soberania da amazônia e exportaríamos essa tecnologia para todos os países que precisam de sistemas parecidos. A Ásia e a África seriam grandes mercados para implantação desses modelos, por exemplo.

Enfim, o governo brasileiro precisa pensar multidisciplinarmente, com iniciativas que envolvam diversas pastas. Encontrar sinergia entre os diversos setores do nossa imensa máquina pública é uma importante tarefa para nossos governantes. Tudo isso com a finalidade de garantir que nossos interesses, e aí leia-se nossos como "povo brasileiro", sejam atendidos. Além da articulação interna dos setores governamentais em assuntos importantes como esse, não podemos esquecer a relevância da interlocução entre os setores público e privado, que carrega consigo a sustentabilidade econômica dessas iniciativas. O Brasil precisa enxergar-se como nação. Longe de nacionalismos infantis, devemos ter consciência dos nossos interesses e principalmente dos interesses que outras nações têm a respeito do Brasil. Tudo isso para proteger nassa maior riqueza, o ambiente em que vivemos.

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Presente e futuro


O futuro trás muitas perguntas, o presente é a única resposta.

Sábado, Fevereiro 16, 2008

Aquecimento solar de água


A cidade de São Paulo está prestes a colocar uma lei em vigor. A lei 14.459/07. Segundo ela, todas as edificações com mais de quatro cômodos são obrigadas a prever, em seu projeto e construção, um sistema de aquecimento solar para água. Isso porque estima-se que no Brasil, durante o horário de pico, cerca de 60% do consumo da energia elétrica é advinda dos chuveiros elétricos. Embora alguns especialistas discordem sobre a medida, com críticas técnicas e políticas, para mim é claro que ela é mais do que acertada. Se existem questões técnicas a serem resolvidas, que sejam resolvidas. No caso das questões políticas, que se promova um debate público e se chegue a um acordo. O que não podemos deixar de lado é a oportunidade de iniciar a mudança da nossa matriz energética rumo à energia solar. Embora a energia elétrica brasileira seja predominantemente oriunda de hidroelétricas e não dos combustíveis fósseis, o país está crescendo economicamente, e é preciso, aumentar a geração, ou captação nesse caso, de energias renováveis. Isso vai aliviar o sistema hidroelétrico, liberando-o do uso residencial para o uso industrial, que tanto precisaremos. Outra coisa importante é pulverizar as fontes de energia. Os sistemas pequenos e distribuidos causam menor impacto ambiental do que os grandes sistemas de geração e distribuição de energia. A lei veio e veio tarde. Já deveria ter sido implantada há muito tempo. Espero ansiosamente por mais uma dúzia delas, incentivando o uso das energias renováveis em micro escala. Elas são a resposta do futuro para a sustentabilidade da raça humana no planeta.